Despedidas sempre são muito duras, mas no caso do meu pai, o icônico João César dos Santos, fico triste mesmo é por quem não teve a chance de conhecê-lo em seus 56 anos na Terra.
Alegre, sábio, trabalhador, amigo. São muitas as palavras que podem definir esse homem que marcou a vida de quem o conheceu.
Desde cedo, era conhecido por ser um menino serelepe entre os filhos da dona Pina e do Muís. No entanto, mesmo com as brincadeiras, sempre teve pose de líder da matilha familiar nos momentos difíceis.
Atuou em diferentes ofícios, o que fez ele se tornar um funcionário exemplar. Como ele mesmo dizia: “meu sobrenome é Trabalho”. Deixou muitos amigos em cada canto do Rio Grande que passou como pedreiro, policial, operador e funcionário público.
Era estudioso, mas gostava da bagunça. Aprendeu a lidar com a disciplina durante a Brigada Militar. Entre muito tiro, porrada e bomba, fez um pelotão de amigos que levou para o resto da vida.
E por falar em amigos, João César esbanjava nesse quesito. Um homem do povo em Lagoa Vermelha, nunca recusou um churrasco na Usina ou uma partida de futebol no estádio Tapete - uma paixão que veio de família.
Colorado de carteirinha, foi um dos principais nomes a manter o legado do Inter do Bairro Gaúcha. Um pequeno clube de bairro, mas com uma grande história. Entre muitas brigas e risadas, ganhou diversos títulos com seu pai, tios, irmãos, filhos e amigos nos campeonatos da região.
João César era a alegria em pessoa, o que fez com que ele ficasse cercado de familiares e amigos até seus últimos momentos. No entanto, nem todo mundo sabe de um segredo: ele tinha medo da morte.
Esse medo, porém, servia como combustível. Apesar de ter vivido apenas 56 anos, João aproveitou cada momento ao máximo.
Sabe aquele frio na barriga que dá quando você está com receio de fazer alguma coisa, aquele medo de ser julgado ou de errar feio? Ele claramente não tinha isso, pois tava pronto para enfrentar qualquer perrengue. E se desse ruim, era só consertar e tentar de novo!
No fim das contas, essa é a grande lição que ele me deixou em sua despedida: dá pra ter medo da morte, mas não dá pra ter medo de viver.
Obrigado por tudo, pai ❤️


