Eu fundei uma igreja para o Hanzo de Overwatch — e foi assim que tudo aconteceu
Enquanto minha mãe sonhava em me ver virando padre, acabei me tornando pastor da igreja brasileira do Hanzo, tudo em nome do Jornalismo
Era o início da noite de sexta-feira e a Igreja Católica Matriz São Paulo de Lagoa Vermelha, Rio Grande do Sul, estava lotada. Lotada e mais deslumbrante que o comum. As badaladas do sino indicavam 18h da tarde, todo mundo já estava lá, ajeitando os últimos preparativos para a cerimônia. Os bancos estavam revestidos com panos enfeitados, enquanto diversos potes com flores eram responsáveis pelo perfume que disputava com o odor das colônias das madames da cidade.
As luzes vindas do chão iluminavam a imagem de Jesus Cristo, pregado em uma cruz feita de ouro, pendurado, com feição de dor e sofrimento, acima do altar. Na porta, os alunos e alunas recebiam uma vela e se enfileiravam com seus respectivos padrinhos e madrinhas. Até os lagoenses que não eram católicos e estavam passando pela rua sabiam que não se tratava de algo comum. Chegou o dia da Crisma da turma de 2011.
A felicidade no olhar materno e o brilho da igreja faziam as pupilas de quem estava na porta dilatar. Para a minha mãe, aquele era o próximo passo para a realização de uma vontade antiga: ter um filho padre. Me ver entrando na igreja com uma vela enfeitada, sorridente e confiante, enchia o seu coração de esperanças de que o filho iria seguir adiante após a Crisma para cumprir o sacramento da Ordem.
Depois de todos os crismandos com nome de A a L, chegou a minha vez de receber a benção divina. Com um óleo ungido, o padre desenhou uma cruz na minha testa enquanto recitava palavras santas em volume baixo, ao som da orquestra da igreja e suas altas notas de violão e teclado.
Entre lições matinais e estudos bíblicos que me fizeram merecedor daquela insígnia invisível na testa, eu me sentia mais próximo do Espírito Santo, fazia parte da Igreja, dava orgulho para a minha mãe. Naquele momento, o catolicismo me fazia uma pessoa melhor e mais feliz. Naquele momento, o Mateus de 14 anos nem imaginaria que, em um futuro não tão distante, abriria sua própria igreja, mas de um jeito bem diferente.
Seis anos se passaram.
Era início da manhã de quarta-feira em Florianópolis, antes do feriado de Corpus Christi, em junho de 2017. Surpreendentemente, o dia estava ensolarado, depois de uma semana com a ilha tomada por chuva. O sétimo semestre da faculdade de Jornalismo estava chegando ao fim. E apesar de não ter aula, acordei cedo para arrumar a bagunça da casa e trabalhar na pauta mais importante deste ano. Não conte para a minha professora de catequese, mas eu abri uma igreja.
Enquanto o pão tostava na torradeira e a água do café esquentava, abri a papelada digital no computador e fui em busca dos últimos preparativos para registrar a Igreja Nacionais de Hanzo: uma religião para cultuar o personagem mais odiado do bem-sucedido first person shotter Overwatch. Isso mesmo, uma igreja para um videogame.
A ideia surgiu no início do semestre — e é tão genial quanto profana. Alguns dias após entrar na disciplina de Jornalismo Investigativo, vi uma reportagem d'O Globo com o título: “Desde 2010, uma nova organização religiosa surge por hora”. Como a coisa mais próxima de religião que eu participei durante a graduação foi um seminário de empreendedorismo, vi isso como uma nova oportunidade de aproximação com o tema e ver se era mesmo verdade: seria tão fácil assim abrir uma igreja no Brasil?
Se eu fosse uma pessoa dedicada a cometer um crime, podia ter feito tudo isso em uma semana.
Para a minha surpresa, sim. Você só precisava de cinco amigos, um endereço fixo, a assinatura de um advogado e o dinheiro de um salgado para registrar seu nome. Com os ingredientes, basta escrever um estatuto e uma ata, coletar as canetadas necessárias e levar os papéis ao cartório de notas mais próximo. Com apenas esses itens, era possível criar uma religião, conseguir imunidade tributária protegida pela Constituição e, ao se nomear pastor, garantir benefícios como uma cela especial na prisão, caso seja pego pela polícia por fraude e tudo dê errado.
Se eu fosse uma pessoa dedicada a cometer um crime, podia ter feito tudo isso em uma semana. Com uma simples pesquisa na internet, você encontrava modelos da ata e do estatuto para começar sua religião. Basta baixar e preencher os campos em branco. Depois era só conseguir a assinatura dos parceiros para assumirem os cinco cargos da diretoria, e buscar um advogado para colocar seu nome e número da OAB no final do estatuto — medida necessária para o registro de qualquer “instituição sem fins lucrativos” (igrejas se enquadram aí).
Por fim, era só pegar uns trocados, registrar firma com a sua assinatura e seguir para o cartório de notas com a papelada, que fica em análise por alguns dias. Com a documentação aprovada, o fundador podia ir até a Receita Federal e requisitar a constitucional imunidade tributária, que compreende IPTU, IPVA, ISS, IPI, PIS/PASEP e outras taxas federais.
Como eu disse e os números comprovam, abrir uma igreja era fácil. Mas eu queria mais.
Testando os limites da religiosidade
Meu objetivo não era apenas provar que começar um templo religioso não é desafiador, mas chegar aos limites do sistema. Além de dar imunidade tributária para templos de qualquer culto desde 1946, a Constituição Federal assegura “o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”. Com a lei maior me dando apoio, decidi ir além do esperado. Eu não criei uma igreja, eu criei uma religião.
Desde 2014, a minha principal religião é o jornalismo, e a curiosidade tem sido o combustível da minha fé. Utilizei todas as artimanhas que aprendi nesse curso para idealizar uma igreja que faria algum barulho e levaria minha reportagem até os confins da internet. Com isso em mente, baixei um “estatuto_de_igreja.pdf” e utilizei toda a minha criatividade para conceber a religião mais zoada, e dentro da lei, possível.
Graças aos contatos que fiz na área de jornalismo de tecnologia nos três anos de faculdade e a paixão por jogos eletrônicos, o tema da igreja já estava decidido: videogame. Segundo o livro American Gods, de Neil Gaiman (que na época ainda não estava cancelado), os deuses são tão poderosos quanto o número de seguidores que acreditam neles. Levando isso em conta, considerando o sucesso na época, escolhi Overwatch para ser o cerne da minha crença.
Lançado em maio de 2016, o multiplayer de tiro online da Blizzard ganhou o prêmio de Jogo do Ano no The Game Awards, o Oscar dos videogames, e contabilizava mais de 30 milhões de jogadores no mundo todo. Além do sucesso de público e crítica em seu auge, Overwatch também possui personagens carismáticos e com grandes grupos de fãs na internet, fatores perfeitos para a criação de um Messias.
Overwatch possui personagens carismáticos e com grandes grupos de fãs na internet, fatores perfeitos para a criação de um Messias.
Overwatch ter em seu portfólio o amado personagem brasileiro Lucio e exemplos religiosos como o monge ômnico Zenyatta ou a angelical Mercy. No entanto, resolvi arriscar e adotei como ícone de fé o ninja, assassino e mercenário Hanzo.
Com cabelos longos e uma barba milimetricamente crescida, Hanzo Shimada é um ninja assassino que foi treinado para suceder seu pai no império. Antes de assumir o trono, quando o patriarca morreu, ele foi incumbido de treinar seu irmão Genji para ser seu braço direito. O Shimada mais novo era rebelde e as coisas não acabaram bem. “Quando seu irmão se recusou, Hanzo foi forçado a matá-lo”, conta a lenda escrita no site de Overwatch, mostrando que não é só a Bíblia que está repleta de conflitos fraternos.
Depois das pequenas "desavenças familiares", Hanzo partiu em uma jornada solitária em busca de seu próprio perdão. Além desta história triste e carregada de elementos vindos da cultura oriental, o ninja assassino tem certo grau de inspiração no ninja Hattori Hanzo, que viveu até 1596 no Japão. A junção de um personagem com carga emocional, inspirações reais e aparência similar a de Jesus Cristo fizeram dele o Messias perfeito na forma.
Assim como as maiores religiões difundidas no ocidente, porém, o único problema de Hanzo está no seus seguidores. O ninja sempre foi um dos personagens mais odiados pela comunidade de Overwatch, já que muitos jogadores insistem em apenas jogar com ele, apesar de não dominarem suas habilidades. O hate em cima do personagem até deu origem ao xingamento “Hanzo Main”.
Ao invés de ver o ódio pelo lado negativo, resolvi adotar a incompreensão de Hanzo como mais um fator polêmico na missão de abrir uma igreja. Afinal, se eu conseguisse registrar uma instituição religiosa em nome de um dos personagens mais odiados do de um jogo online popular, realmente não existem limites para a legislação.
Nasce a igreja do Hanzo
E assim nasceu a Igreja Nacionais de Hanzo, concebida no dia 17 de abril e oficialmente registrada em 14 de junho de 2017. A instituição tem como objetivo “pregar a paz e harmonia na internet e em comunidades online”, e o estatuto é uma das obras onde mais expressei minha criatividade durante os seis primeiros meses de 2017.
O Artigo 9°, por exemplo, declara que os membros da igreja podem pedir uma terça-feira de folga por mês para ser dedicada aos "estudos religiosos", ou seja, jogar Overwatch. Logo no próximo item, o estatuto incentiva o consumo de comidas calóricas, um ótimo complemento na hora de jogar videogame. “O consumo de alimentos e guloseimas durante os encontros é recomendado, visando deixar os ingressantes à vontade para participarem das discussões”.
O estatuto, aprovado em cartório, prevê que a Igreja Nacionais de Hanzo vai vender produtos piratas.
Entrando no campo criminal, nosso estatuto, aprovado em cartório, prevê que a Igreja Nacionais de Hanzo vai vender produtos piratas. No inciso VI do artigo 3°, está estipulado que a instituição vai “ser fonte de distribuição de produtos, meios e materiais com a palavra de Hanzo”, personagem protegido por direitos autorais da Blizzard. Além disso, graças a imunidade de impostos, os produtos piratas não receberiam nenhuma taxa do governo, uma vez que servem como símbolo de expressão da religião.
Além das ousadias criminais, o estatuto também conta com pérolas como batismo através de uma partida de Overwatch, expulsão por usar o termo “Hanzo Main” e apoiar a guerra dos consoles.
Uma igreja em cada esquina
Apesar da facilidade de abrir uma igreja e o crescente número de instituições no Brasil - 762 entidades foram registradas só nos dois primeiros meses de 2017 -, nenhum crime de fraude foi registrado em Santa Catarina, aponta o Ministério Público naquela época. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), o estado contava com 5236 instituições registradas como templos religiosos em atividade.
Desde a minha incursão fundando a igreja do Hanzo, esses números cresceram. Segundo o Censo 2022, o Brasil conta com cerca de 580 mil instituições religiosas, número que supera escolas e hospitais juntos no país. Com isso, o país conta com cerca de 286 igrejas para cada 100 mil pessoas.
Como as igrejas recebem imunidade tributária e qualquer desvio de conduta se enquadra como sonegação, a fiscalização do funcionamento deste tipo de instituição cabe ao setor tributário do Ministério Público. Segundo o promotor de Justiça Giovanni Andrei Franzoni Gil, Coordenador do Centro de Apoio Operacional da Ordem Tributária (COT) do MP-SC, um dos motivos para ninguém tentar abrir uma igreja para cometer crimes são as consequências de ser pego.
No caso da Igreja Nacionais de Hanzo, eu poderia pegar até 15 anos de prisão por sonegação, fraude e lavagem de dinheiro. “Acho que por essa punição ser grande não existem muitos casos de desvirtuamento”, diz o promotor. Por desencargo de consciência, aviso que as peripécias da minha igreja acabam na heresia e comprovação da facilidade em se conseguir imunidade tributária. Nenhum crime foi cometido em nome do salvador Hanzo — além de abandonar o time no objetivo para conseguir algumas kills.
De acordo com Franzoni Gil, o Ministério Público de Santa Catarina faz inspeções de rotina, para averiguar o funcionamento de templos com alto índice de arrecadação, e também age com denúncias vindas do contribuinte. “A partir de uma investigação, pode se levar o caso para o âmbito criminal e desconstituir a instituição.”
No lado legal da moeda, a facilidade em abrir igrejas está transformando a religião em fonte de renda. A alta arrecadação de alguns conglomerados religiosos já colocou em xeque a imunidade tributária, que tem como objetivo garantir a liberdade religiosa.
Em 2015, uma sugestão de projeto de lei (SUG 2/2015) trouxe a proposta de derrubar a imunidade dada pela Constituição, já que administradores de igrejas estariam enriquecendo com altas arrecadações e a ausência de impostos. Segundo dados da Receita Federal, em 2013, igrejas de Santa Catarina arrecadaram R$ 478 milhões com dízimos e doações de seus fiéis, além de investimentos no mercado financeiro e vendas de bens e serviços, que não são tributados.
A sugestão teve apoio popular na época e passou pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), mas acabou sendo arquivada. Nesse meio tempo, a PEC 5/2023 foi aprovada em comissão especial, visando ampliar a imunidade tributária para igrejas, incluindo também a compra de bens e serviços. A mudança ainda não foi votada no Plenário da Câmara.
Em entrevista em 2017, o professor Ubaldo Cesar Balthazar, diretor do Departamento de Ciências Jurídicas da UFSC e especialista em direito tributário, disse que a solução para o caso seria tirar a medida constitucional e deixar a tributação aberta. “A solução mais simples é revogar a imunidade. Cada estado, município ou a união decidiram caso a caso se concedem a isenção ou não”.
A eterna busca por respostas
No lado religioso, o crescimento das igrejas também levanta questionamentos. Afinal, o que leva todas essas pessoas a abrirem igrejas no Brasil? Ao que parece, o mesmo motor que faz funcionar o jornalismo: a busca por respostas.
Apesar das raízes católicas e a busca pelos sacramentos cristãos aos 14 anos, o temor de Deus sempre fez eu correr atrás de religiosidade. Afinal, independente do caminho, essa parece ser a melhor forma de se livrar de uma eternidade aproveitando o ar condicionado do inferno.
Antes de eu fazer catequese na Igreja São Paulo de Lagoa Vermelha, boa parte da família estava migrando para a corrente evangélica e aproveitando os domingos para cultuar Jesus na Igreja Evangélica. Diferente dos católicos que só rezavam, o pessoal evangélico era mais animado: os cultos tinham músicas, danças e teatro, junto com o sermão do pastor e a tradicional coleta do dízimo. Para uma adolescente, era mais divertido cantar e dançar com outros jovens no protestantismo ao invés de ficar fazendo preces até o joelho ficar dormente.
Porém, além da devoção animada, os familiares evangélicos pregavam o temor de Deus como algo primordial. “Um dia, Jesus vai voltar, o mundo vai virar chamas e só os verdadeiros seguidores vão ser salvos“, explicava com um sorriso no rosto um dos meus tios, que atualmente já é pastor. Aos 16 anos, quando vim pra Florianópolis, também tive experiências com o mundo Espírita, que pregava conceitos como melhora pessoal, assustava com as possessões e levantava ainda mais dúvidas na minha cabeça sobre a linha entre bem e mal nas religiões cristãs.
A busca pela religião certa e os questionamentos sobre a vida me levaram a entrar no Jornalismo, onde a procura por respostas seria um dever e obrigação. No entanto, para quem só discorda de alguns extremismos (ou a falta deles) em determinados dogmas, o cenário legislativo favorável acaba se tornando uma porta aberta para pessoas incertas de seus credos criarem suas próprias religiões.
Para o frei Luiz Roberto Portella, um dos responsáveis pela Paróquia Santíssima Trindade, perto da Universidade Federal de Santa Catarina, a busca por uma conexão imediata com Deus é um fator que leva as pessoas a entrarem no ramo das igrejas.
“Acho que o que leva isso é a vontade, o desejo das pessoas de quererem que Deus resolva todas as suas questões. Quando a pessoa não está satisfeita numa igreja, ela busca novas possibilidades, e nisso os oportunistas se aproveitam para trabalhar evangelizando, já que existem maneiras de conseguir isso facilmente" explica o capuchinho.
A espírita Ceci Vieira da Rosa Ullysea compartilha de uma ideia parecida, e condena quem utiliza igrejas para enriquecer. “O objetivo de toda religião, principalmente o espiritismo, é a melhora interior, e não doutrinar”. Participante do Grupo Espírita Irmã Cecília há 40 anos, Ceci era católica, mas migrou para a religião por influência do marido e por discordar de certos aspectos de sua antiga crença. “O cristianismo vê as práticas kardecistas como bruxaria. Eu não achava certo acreditar que um homem bom fosse para o inferno porque não acreditava na Igreja Católica”.
Assim como o Mateus de 14 anos, o coração da maioria dos brasileiros ainda pertence a Jesus Cristo, com religiões cristãs sendo preferência de mais de 80% da população. Porém, se vivêssemos na diegese de American Gods, onde quem é mais cultuado tem poder, com certeza o dinheiro seria o deus mais poderoso de todos.
Quanto a mim, após quase uma década desde a fundação da Igreja do Hanzo, continuo sendo devoto do jornalismo e seguidor das dúvidas. E, infelizmente, sigo viciado em Overwatch, mas agora jogando de Mauga ao invés do arqueiro assassino.
Depois de toda essa experimentação religiosa, infelizmente não pude realizar o sonho da minha mãe de ser padre, mas graças a Igreja Nacionais de Hanzo, pelo menos deu para virar um pastor ninja.
Este texto foi produzido em 2017, para a aula de Jornalismo Literário, quando eu ainda estava na faculdade. A produção passou por algumas atualizações para trazer dados mais recentes sobre o tema.
A reportagem original está disponível no link abaixo e ganhou destaque em sites como Folha de S. Paulo, Adrenaline e Voxel/TecMundo, onde eu trabalho atualmente (a ironia do destino). O conteúdo também teve repercussão internacional em publicações como o Polygon, VG247 e PCGamesN, mostrando que os games realmente servem como ponte para abordar pautas importante.
Com a repercussão da história da igreja do Hanzo, também recebi algumas mensagens de pessoas “pedindo o tutorial” para criar uma religião falsa e escapar de taxas. Com isso, fica o aviso para quem se acha esperto: a fé até pode blindar templos de alguns impostos, mas não protege ninguém de investigação, denúncia e cadeia.





